A Feira do Fumeiro e Presunto de Barroso é organizada pela Câmara Municipal de Montalegre desde o ano de 1992 e, a partir de 2002, em parceria com a Associação dos Produtores de Fumeiro da Terra Fria Barrosã.



A ideia nasceu e o desenho deste projeto também. Mas, quando chegou o momento de procurar produtores, a organização confrontou-se com barreiras culturais extremamente enraízadas na população local: tradicionalmente só os “pobres” vendiam os presuntos e as chouriças produzidas em casa, na maioria das vezes de forma escondida e os produtores que poderiam dispensar fumeiro para venda sentiam-se envergonhados em fazê-lo publicamente. Estrategicamente, a comissão organizadora redesenhou um novo modelo do projeto: ía a casa dos produtores buscar os produtos que eram pesados e preçados, vendia-os sem referência ao nome do seu produtor, apenas com um código que só ela própria conhecia e, posteriormente, entregava ao produtor o dinheiro resultante da venda.

Este modelo vingou durante os dois primeiros anos. A partir do terceiro ano alguns produtores começaram a permitir que o seu nome fosse colocado nos rótulos dos produtos e, só a partir do quinto ano de edição, é que alguns produtores se mostraram disponíveis para estarem presentes na Feira e eles próprios venderem o seu fumeiro, ao mesmo tempo que, em espaço diferenciado, a Câmara continuava a vender o fumeiro daqueles que continuavam a não querer assumir a venda. Só a partir de 1999 foi possível organizar uma Feira com todos os produtores presentes.

Iniciada numa pequena garagem com 50m2 e 4 dias de edição, onde estava presente fumeiro de 35 produtores e 1.226 Kgs , logo no 1º dia de edição, a organização viu todo o seu produto esgotado. Esta foi a prova de que a aposta da Câmara Municipal de Montalegre na realização deste certame estava ganha. A garantia de qualidade que a organização assumia perante os compradores, aceitando devoluções se aqueles não ficassem satisfeitos, foi a principal razão deste sucesso.

Nos anos seguintes, esta Feira foi crescendo sistematicamente. A relutância dos produtores de fumeiro em venderem os produtos, que carinhosamente produziam para consumo próprio, foi-se desvanecendo à medida que constatavam que a qualidade daquilo que produziam tinha uma grande aceitação no mercado, contrabalançando com os produtos agrícolas tradicionais que, por razões estruturais deixaram de ser comercializados (a batata e o centeio).

Os modelos de organização foram sendo alterados e adaptados à realidade conjuntural e ás avaliações efetuadas, tendo sempre como pressuposto base a manutenção da qualidade dos produtos vendidos. O sistema de controlo iniciou-se no mês de Fevereiro do ano anterior à realização da Feira, com a inscrição dos produtores e do número de animais que pretendia criar para produção de fumeiro. Posteriormente, em visita domiciliária, é confirmado o número de animais que cada produtor detém e são sinalizados com brincos. Durante o ano, todos os produtores são visitados, de uma forma aleatória, por uma comissão constituída também por produtores, que verifica se alimentação dos animais é a alimentação tradicional.

Este controlo de qualidade continua na matança, com a presença obrigatória do veterinário municipal. Posteriormente, termina com a entrada dos produtos na Feira. A quantidade de cada um dos produtos confeccionados, por cada produtor é pesado, conferindo se é proporcional ao número de animais criados e passa depois pela comissão de controlo, constituída pelo veterinário municipal e dois elementos conhecedores da confecção do fumeiro tradicional que avaliam a apresentação do produto, a textura, o cheiro e o sabor de cada um dos produtos apresentados.

Atualmente, os produtores mais idosos, que eram aqueles que mantinham o “saber fazer” tradicional, estão já a ser substituídos por jovens produtores que apostam no desenvolvimento de métodos mais modernos e consentâneos com as exigências atuais do mercado. As cozinhas tradicionais da casa barrosã, onde se produzia o fumeiro, estão já a dar lugar a modernas cozinhas de produção, onde o factor higiene e comodidade se alia aos métodos tradicionais de produção, mantendo toda qualidade e sabor tradicional do produto.

Desde 2002, os produtores de Fumeiro estão já organizados em Associação – Associação de Produtores de Fumeiro da Terra Fria Barrosã, sendo uma das suas preocupações a formação dos seus associados. Promoveu já ações de formação na área da qualidade alimentar, visitas a unidades de produção de fumeiro em Salamanca e formação de novos produtores de fumeiro.

Para além das mais-valias que esta Feira gera diretamente para os produtores de fumeiro, são já notórios, no território, os impactos sociais e económicos do aumento do fluxo turístico.